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Fábulas – Leitura para o dia 17/10

Outubro 9, 2008

O lenhador e a mata

Descuidandose um dia, um lenhador quebrou o cabo de seu machado, e assim desarmado, deixou em sossego as árvores. Por fim, muito humilde e choroso, foi pedir lhes que lhe emprestassem um galho, com que pudesse fazer um cabo para o seu machado, declarando que era o único recurso com que ganhava, suando e lidando, o parco alimento de sua numerosa família; dessemlhe o precioso cabo e prometia não trabalhar mais nessa mata, e respeitar todas as suas árvores e arbustos; não lhe faltaria em que ocuparse. Movidas de tanta dor e de tanta súplica, confiadas em tão positiva promessa, até as árvores deram o pedido galho. E logo o lenhador pôs ao machado um cabo, novo e forte, e logo viçosos galhos, troncos robustos caíram ao afiado gume de machado, que pouco tempo deixou às árvores para chorarem arrependidas a sua crédula benignidade.

MORALIDADE. Quantos se servem do benefício em dano imediato do benfeitor! Perdoai ao vosso inimigo: mas é de louco darlhe meios de continuar a fazer mal.

 

Os lobos e as ovelhas

Desde o começo do mundo houve guerra encarniçada entre as ovelhas e os lobos: por serem fracas e incapazes de defenderse, as ovelhas puseramse debaixo da proteção dos cães. Então os lobos viramse perdidos; às ocultas, só de emboscada, podiam pilhar alguma inimiga com que matassem a fome. Acudiulhes um estratagema: humilharamse, pediram pazes; fizeram com que as crédulas ovelhas se convencessem de sua credulidade; o que aliás lhes foi fácil, pois ofereceram dar como reféns os seus filhos. As ovelhas tudo aceitaram, e até calcularam a grande economia que fariam, dispensando a guarda e a proteção dos cães. Fezse a paz, foram dados os reféns, despedidos por economia os cães. Uma noite, os filhos dos lobos põemse a uivar: acodem os pais bradando que estão maltratando seus filhos, que assim faltam a fé prometida, e restauram a guerra, e logo vão fazendo tal carnificina, que de ovelhas não sabemos como alguma escapou para continuar a raça.

MORALIDADE. No mau que diz arrependerse não se deve confiar antes de boa prova.

 

O rato da cidade e o do campo

Um rato que morava na cidade, foi dar um passeio ao campo. Recebeuo e agasalhouo um amigo que o levou para os seus palácios subterrâneos, e deulhe um banquete de ervas e raízes. Maldizendo em presença de tais iguarias a louca lembrança do seu rústico passeio, o rato da cidade, obrigado a jejuar, disse por fim: “Amigo, tenho dó de ti; como te podes resignar a semelhante passadio? vem comigo para a cidade, verás o que é fartura, o que é viver. O outro aceitou. A noitinha estavam ambos em uma bela e rica residência, em bem provida dispensa; queijos, lombos, o perfumado toucinho, tudo os incitava; desforrandose de sua longa dieta, o rato do campo regalavase. Súbito range a porta, entra o despenseiro: vem com ele dois gatos. O rato da casa achou logo o seu buraco; o hóspede, sobressaltado, pulando de prateleira em prateleira, mal escapou com a vida, e despedindose do amigo: “Adeus, camarada, disse, ficaivos com as vossas farturas; mais vale magro e faminto no mato, do que gordo na boca do gato.

MORALIDADE. Sem sossego de espírito de que valem os outros bens?

 

A galinha dos ovos de ouro

Tinha certa velha uma galinha que lhe punha ovos de ouro; e bem que raros fossem, davamlhe para viver em abastança. Um seu afilhado continuamente lhe dizia: “Como pode minha madrinha esperar pelos ovos desta galinha? Se põe ovos de ouro, é por certo toda de ouro; matemola. A velha por fim cedeu. Morta a galinha, era por dentro como todas as galinhas.

MORALIDADE. Contentemonos, agradecidos, com os presentes que Deus nos dá no tempo e nos períodos que sua sabedoria entende convenientes.

 

O lobo e o cordeiro

Estava um cordeiro bebendo água na parte inferior de um rio; chegou um lobo, e cravando nele torvos olhos, disselhe com voz cheia de ameaça: “Quem te deu o atrevimento de turvar a água que pretendo beber? Senhor, respondeu humilde o cordeiro, repare que a água desce para mim: assim não a posso turvar. Respondes, insolente! tornou o lobo arreganhando os dentes ;já o ano passado falaste mal de mim. Como o faria, se não tenho seis meses então ainda não tinha nascido. Pois se não foste tu, foi o teu pai, teu irmão, algum dos teus e por ele pagarás. E atirandose ao cordeiro, o foi devorando.

MORALIDADE. Foge do mau, com ele não argumentes: as melhores razões te não poderão livrar da sua fúria. Evitao fugindo.

 

Os membros e o estômago

As mãos e os pés revoltaramse um dia. Trabalhamos tanto, estamos em contínuo lidar e tudo é em proveito do estômago, que ai fica folgado, empregando em vantagem sua quanto adquirimos. Não estamos mais por isso, queremos folgar, e viva o estômago como puder. Admoestações, rogos, instâncias, nada valeu. O estômago ficou em jejum; mas para logo todo o corpo caiu em debilidade; braços, pernas, pés e mãos foram dos primeiros a sentir um entorpecimento, uma languidez que os assustou; compreenderam que iam morrendo; voltaram pois ao seu antigo ofício, e dentro em pouco, graças ao condescendente estômago, se acharam restituídos à antiga robustez.

MORALIDADE. Todos somos membros de um vasto corpo, que é a sociedade; cada um exerce funções especiais, mais subidas, mais humildes, porém todas indispensáveis pára a prosperidade e até para a existência de todos.

 

A águia e a tartaruga

Uma águia agarrou em uma tartaruga; mas embora faminta, não sabia como haver-se para comêla; porquanto na eminência do perigo, a tartaruga se encolhia toda na sua concha, e nem bico nem garras podiam romper essa muralha. Vendoa assim, lidar debalde, outra águia matreira lhe disse: A presa é boa, minha filha; carne de tartaruga é manjar delicado; mas nunca poderás pôrlhe o bico se te eu não valer. Pois valeme e doute metade da presa. Vá feito : sobe o mais que puderes nas nuvens, e de cima deixa cair a tartaruga, a concha ficará quebrada. Dito e feito; a pobre tartaruga, mal defendida contra tamanho baque, foi o almoço de ambas.

MORALIDADE. Em tudo menos vale a força de que o jeito; em tudo a experiência é proveitosa.

 

O mono e a raposa

Tinha uma raposa um rabo tão comprido, que andava sempre caído, sem graça, e varrendo o chão. Um mono, que tão pelado tinha o seu, que andava sempre descomposto, lhe disse: “Camarada, podes servirte a ti própria, servindome a mim; dáme o que de rabo te sobra, para suprir o que me falta; assim ficarei eu em estado de poder passear sem pejo, e tu ficarás mais elegante e mais leve. Antes quero ter o meu rabo assim mesmo pesado, e arrastando, do que darto. Cada um com o que é seu, cada um por si”, disse a raposa.

MORALIDADE. Há muitos que antes querem conservar coisas inúteis e até nocivas, só por serem suas, do que dálas a quem, aproveitandoas, retribuirlhesia com tesouros que nunca são excessivos as bênçãos dos desvalidos

 

O galo e a raposa

Vendo aproximarse uma raposa, um galo trepou com as galinhas a um alto pinheiro. A tanta altura não podia alcançar o malfazejo bicho, procurou pois valerse da astúcia “Olá! Sr Galo, disse, de que tem medo? porque sobe tão alto? pois ignora que está feita a paz eterna entre todos os animais! pois ainda não lhe foi comunicada tão grata noticia? Neste caso, quero alvíssaras. Ora desça, abracemonos, festejemos este dia de universal reconciliação. Percebeu o galo a mentira ; dissimulando porém, e não se dando por achado: Muito folgo com a notícia, respondeu, e já desço para mostrarlhe o meu contentamento: mas aí vem chegando uns cães, junto com eles melhor festejaremos tão bela paz. Aí vem cães? disse a raposa; pode ser que os malditos ainda não saibam da paz.” E safouse mais ligeira do que tinha vindo.

MORALIDADE. Não crer de leve é o conselho da prudência; reconhecendo a impostura, dissimular é o melhor meio de evitála.

 

A águia e a raposa

Uma águia tinha filhos; para os alimentar, apanhou os filhos de uma raposa. A aflita raposa suplicou, instou; nada conseguiu. Altiva e desdenhosa, a águia zombou dos seus rogos, e preparouse para devorar os raposinhos. Então a raposa valeuse de bem inspirado estratagema: começou a cercar com muita palha e folha seca a árvore em que tinha a águia o ninho, e pôslhe fogo. Vendose ameaçada pela labareda, e reconhecendo que perdidos estavam os seus filhos, a águia pediu paz; entregando os raposinhos, a conseguiu.

MORALIDADE Forte ou poderoso não ofendas a quem supões fraco; pois hás de ter um lado vulnerável, e o fraco saberá descobrilo.

 

O lobo e a garça

Voraz, como sempre, um lobo, estando a comer, engoliu um osso. Ficoulhe este atravessado na garganta, e o sufocava. Nesta aflição viu ele uma garça de compridíssimo pescoço, e suplicoulhe que lhe valesse, prometendo mundos fundos, se lhe arrancasse o osso da goela. Compadecida a garça o fez. Livre o lobo recusou dar-lhe o que prometera. Ingrata, não vês que és tu que me deves retribuir a generosidade; dentro da minha boca esteve a tua cabeça, podendo apertar Os dentes, deixei que te safasses! e queres paga! A garça calouse: o que havia de fazer? Emendar a mão, e nunca valer a lobos.

MORALIDADE. Quantos na hora dos apuros tudo prometem aos homens, aos santos, a Deus e depois esquecem o prometido, e chasqueam de quem neles se fiou.

 

O lobo e o cabrito

Uma cabra, indo pastar, deixou em casa o filho dizendolhe que não abrisse a porta a urso ou a lobo; pois mal lhe iria Para melhor livrálo, ajustou com ele uma senha: Quando eu voltar disse, para que me abras, hei de bater três vezes, dizendo abre que está frio: só então abrirás. Um lobo estava à espreita, e ouviu a senha; daí a algumas horas voltou, bateu na porta, e disse: Abre que está frio. Por mais, porém, que disfarçasse a voz, e procurasse imitar a da cabra, o cabrito teve desconfiancas, e chegandose à porta, disse: Minha mãe, mostre pela fresta a sua pata branca; só então lhe abrirei. Pata branca é coisa de que o lobo nunca dispôs; o nosso espertalhão não teve remédio senão retirarse em jejum

MORALIDADE. Nunca sobram precauções ; se fiandose à senha, o cabrito tivesse aberto a porta, onde teria ido parar?

2 comentários

  1. Profº é para escolher três neh?, valeu!


  2. Isso! Leia todas e escolha três pra fazer o relatórios!



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